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Métricas de Software é como uma virtude: todos são a favor, mas não fica claro se alguém a pratica. Uma pesquisa recente mostra que nos EUA, por exemplo, cerca de 42% das empresas que pensam em implantar métricas de software não possuem sequer planos para fazê-lo. Conforme afirma Eberhard Rudolph em Concepts os Software Measurement, desempenho, produtividade e qualidade são itens cruciais para qualquer área de negócio. Estes itens representam na realidade Fatores Críticos de Sucesso em qualquer organização. A maioria das unidades de negócio (Manufatura, Marketing, etc) produzem indicadores que expressam o seu desempenho e a qualidade de suas operações. Estes indicadores são regularmente monitorados pelo nível executivo das organizações, que os usam como parâmetros para tomada de decisões críticas para os seus negócios. Em contraste com as outras unidades de negócio, os departamentos de Sistemas de Informação geralmente não produzem nenhum indicador mensurável para avaliação de qualidade, produtividade e desempenho financeiro. Portanto, o nível executivo destas áreas não possui embasamento quantitativo suficiente para apoiar seu processo decisório, o que faz com que sucessos ou falhas no desenvolvimento de sistemas de informação não possam ser devidamente avaliados. Freqüentemente a gerência perde a oportunidade de avaliar o desenvolvimento de aplicações de forma sistemática e representativa. Em alguns casos serão necessários prejuízos de alguns milhares de reais e anos de trabalho para perceber que um projeto está em dificuldades. Enquanto a falta de uma métrica é desapontadora do ponto de vista técnico, de uma perspectiva de negócios é desastrosa. A falta de uma métrica (indicador) e de um processo formalmente definido de avaliação dificulta uma gerência efetiva. Somente atividades mensuráveis podem ser gerenciadas de uma forma racional. Sem uma "medida", é tarefa árdua demonstrar o benefício relativo de qualquer decisão gerencial. Então como pode alguém saber se a decisão tomada levou a uma melhoria ou a uma deteriorização da situação. Como parece que as práticas de métricas de software geralmente inexistem, não é surpresa que, no passado, a gerência de desenvolvimento de software errou tanto. Aumentos substanciais de prazos e custos ocorriam regularmente. Quando começavam um grande projeto de software era uma grande incógnita "quando" e "o que" seriam realmente liberados. Assim a "tradicional" gerência de desenvolvimento, como se fosse parte de uma regra sagrada, aumentava substancialmente sua previsão de prazos e custos. O mercado está cheio de "ferramentas de produtividade", que vão desde Ferramentas CASE, L4G, Metodologias, Técnicas OO, etc. Cada uma dessas abordagens pode efetivamente trazer ganhos de produtividade, mas sem uma medida, como pode o benefício relativo de cada uma delas ser estabelecido? Com certeza o aumento de produtividade mais representativo será obtido quando conseguirmos estabelecer uma sistemática de métricas significativa para os resultados do desenvolvimento de software e efetivamente usá-la. Assim gerentes poderão observar o trabalho de uma outra perspectiva, menos emocional e mais profissional, e assim identificar as vantagens e desvantagens da utilização das mais diversas práticas e ambientes. Para que o nível executivo possa contar com
indicadores confiáveis, é necessário que se estabeleça uma
sistemática de consolidação das métricas obtidas em cada projeto.
Através de um Sistema de Informações Gerenciais pode-se então
retratar, através de gráficos e relatórios, a situação do
desenvolvimento e manutenção de aplicações em toda a
organização. Como pode ser notado, os indicadores de desempenho financeiro, qualidade e produtividade, que são fundamentais para uma gerência efetiva de projeto, são calculados com base no tamanho das aplicações, mas como medir o tamanho de uma aplicação ?
Por anos, engenheiros de software tem enfrentado o problema de determinar o tamanho de um projeto de software. No final da década de 70, A.Albrecht desenvolveu a técnica FPA que avalia o tamanho de sistemas de informação. A partir de meados da década de 80 se expandiu o uso da FPA. Nos EUA foi criado o International Function Point Users Group (IFPUG), que congrega cerca de 600 empresas ( entre as maiores empresas do mundo ) e semestralmente organiza congressos onde são estabelecidos padrões de contagem e recomendações para uso da técnica. Grupos similares foram criados em todo o mundo, inclusive no Brasil onde em 1998 surgiu o BFPUG (Brazilian Function Point Users Group), com o intuito de disseminar a utilização da técnica. Na década de 90, FPA tornou-se padrão para medida de software. Hoje, nos meios competentes, existe o consenso que a FPA é uma excelente ferramenta para medir o tamanho de software. A principal característica da FPA é sua orientação a negócios. Pontos de Função espelham a visão do usuário em relação aos sistemas de informação e portanto são de fácil compreensão por parte destes. Seu uso possibilita uma maior participação dos usuários finais no processo de desenvolvimento e uma melhor capacidade de negociação de recursos, prazos e orçamentos por parte do executivo da área de Sistemas de Informação. Uma vez estabelecida uma forma confiável e padronizada de medição do tamanho das aplicações, indicadores como tamanho/tempo, defeitos/tamanho e custo/tamanho podem ser documentados e monitorados pelas atividades de gerência de projetos, apoiando as decisões do nível executivo das organizações em relação à área de Sistemas de Informação. Com uma sistemática de métricas na área de Sistemas de Informação, é possível estimar e planejar adequadamente os recursos, prazos e benefícios para o desenvolvimento e manutenção de sistemas. Com isso, a gerência de informática estará apresentando expectativas realistas para a comunidade de usuários, obtendo um relacionamento positivo e de confiança entre as partes. Ao estabelecer um processo de medição, torna-se possível a avaliação do acervo das aplicações existentes na organização. O acompanhamento dos índices de desempenho financeiro, qualidade e produtividade se constituirá em fator de motivação para a melhoria dos mesmos, atingindo-se cada vez mais qualidade e produtividade em desenvolvimento e manutenção de sistemas de informação. E mais importante, se torna possível estabelecer tendências e direções para a estratégia de desenvolvimento de software.
Desde o final dos anos 80 as grandes organizações começaram a fazer com que a performance de seus departamentos de SI se tornasse mensurável. Os líderes da indústria como GE, AT&T, Midland Bank, entre outros, regularmente reportam sua performance na área de SI para a gerência sênior. E como resultado da capacidade de controlar o processo de desenvolvimento de software, a gerência de SI irá ganhar credibilidade e o reconhecimento da gerência senior. Métricas proverá a oportunidade da gerência de SI de ser mensurada; e sob o ponto de vista gerencial isto fará com que esta função passe a ser mais respeitada. A gerência de SI do futuro irá regularmente monitorar os indicadores chave do desenvolvimento de software. Tendências serão estabelecidas e a performance será monitorada. Estabelecer um Programa de Métricas para coletar os dados necessários é o primeiro passo nesta direção.
CONCLUSÃOPodemos dizer que Métricas de Software são como medicamentos. Tanto podem salvá-lo quanto podem matá-lo, dependendo das escolhas que precedem seu uso. Não é só o medicamento que deve levar todo o crédito por trazer sua saúde de volta. Na verdade, é o médico, que prescreve o medicamento correto com a dosagem apropriada, que importa mais do que qualquer outro fator isolado. Portanto, nos colocamos a sua disposição para, com nossa experiência na utilização de Métricas - como atesta o certificado Certified Function Point Specialist, emitido pelo International Function Point Users Group, ajudá-lo a implantar estes conceitos na sua área de desenvolvimento e manutenção de Software. |